Beleza e saúde
Ah, dá um tempo! a você mesma
O mundo não vai acabar se você reduzir a velocidade por um dia. Disso depende sua saúde, sua carreira, sua felicidade.
Lisa Lombardi

Quando alguém da turma liga perguntando "O que a minha amiga sumida está fazendo?", é provável que você responda automaticamente: "Ah, nada". Mas pense bem se isso não está longe de ser verdade. Talvez você nem se lembre da última vez que, ufa!, ficou de papo pro ar, abrindo mão de festas, programas com o namorado ou as amigas e compromissos profissionais ou familiares. "A mulher, com sua tendência de realizar milhares de coisas ao mesmo tempo, acaba se exigindo mais e mais", afirma a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar, da Sempre Consultoria Empresarial. "Acha que precisa desesperadamente dar conta de tudo, com perfeição, se quiser conquistar o homem dos seus sonhos, manter-se no emprego, agradar aos pais e irmãos, corresponder às expectativas das amigas, ficar linda de morrer e em forma... Alcançar tantos objetivos numa tacada só é quase uma obrigação, a ponto de a simples idéia de pôr um freio na correria do dia-a-dia virar um desafio daqueles", completa ela.

Verdade. E o pior é que as exigências não são apenas internas. "Somos encorajadas pela sociedade a preencher nossa vida (e, diga-se de passagem, atacamos em várias frentes com muita desenvoltura), a tal ponto que dificilmente percebemos os momentos de dar uma parada", afirma Laura Fortgang em seu livro Living Your Best Life (Viva sua melhor vida). Trocando em miúdos, é muito fácil, nos dias atribulados de hoje, nos esquecermos de que precisamos recarregar as baterias de tempos em tempos. "O problema é que, embora o desejo de realizar seja admirável, ele se volta contra nós quando vira uma compulsão", observa Carmen.

Razões da sobrecarga feminina
Existe explicação científica para essa corrida maluca. "Algumas diferenças neurológicas entre homens e mulheres fazem com que a gente realize várias tarefas ao mesmo tempo, enquanto eles se saem melhor focando uma só", explica Ana Maria Rossi, psicóloga especializada em stress que preside a International Management Association no Brasil (Isma-BR). Estudos mostram que temos mais fibras conectoras entre os hemisférios cerebrais do que eles, por isso conseguimos processar mais dados de uma vez. Trata-se de uma habilidade que a gente usa como nunca nessa era de estimulação high tech. "Devido aos avanços tecnológicos, trabalhamos mais horas e em vários lugares, e fazemos diversas coisas ao mesmo tempo, como ler e-mails urgentes e ouvir recados na secretária eletrônica e ainda escrever mensagens de texto no celular para o namorado", exemplifica Robert Friedman, responsável pelo site www. stress-solutions.com.

Além disso, são tantos canais de tevê e sites à disposição, que nos sentimos culpadas se preferimos ficar deitadas contando carneirinhos.





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