Determinada e cheia de energia, a campineira Ana Carolina Erlinger, de 24 anos, não mede esforços para atingir seus objetivos profissionais. Viaja cerca de 100 quilômetros para fazer estágio em uma multinacional e está terminando a faculdade de engenharia de alimentos. Não reclama da vida corrida que leva. Pelo contrário. Gosta da adrenalina de ter várias atividades num mesmo dia. Tanta garra não a impede de ser doce, feminina e vaidosa. Nem de reservar espaço na agenda para o romance. Alguém duvida que ela é uma legítima mulher de NOVA?
"Seis horas da manhã. Ainda está escuro. E faz frio. Seria muito bom se eu pudesse virar para o outro lado e dormir mais um pouquinho. Mas já estou de pé. E atrasada! Tenho cinco minutos para engolir um café, pegar a bolsa, a mochila e voar para o ponto onde o fretado me espera. Cerca de 100 quilômetros separam minha casa do escritório onde faço estágio, em São Paulo. Poderia optar por um trabalho em Campinas mesmo. Mas não faço escolhas pelo que é mais cômodo. Prefiro me guiar por aquilo que vai me levar mais rápido ao meu objetivo. E o estágio na área de inovação e qualidade em uma multinacional combinou direitinho com isso.
A decisão de enfrentar a estrada todo dia tornou minha vida beeem corrida. Quando volto para Campinas, às 7 da noite, ainda tenho a faculdade - estou no último ano de engenharia de alimentos - e invariavelmente chego atrasada. A formatura será agora em dezembro e comecei a contar os dias e as horas para pegar o canudo. Quero correr para o mercado de trabalho! No futuro, me vejo numa área de planejamento, tomando grandes decisões. E pensar que eu queria ser bailarina... Com 7 anos comecei a fazer sapateado e me apaixonei pela dança. Cheguei a ser integrante de uma companhia amadora de Campinas. Na época do vestibular, minha primeira opção foi dança. Mas não passei. Parecia o destino me avisando que não era por ali. Então, resolvi colocar meus objetivos na balança e decidi que a engenharia renderia mais estabilidade financeira - sem ela, boa parte dos meus planos iria por água abaixo. Fiz cursinho, não saí de cima dos livros e passei na concorrida faculdade pública que eu queria, a Unicamp.
AMADURECIMENTO A JATO Cheguei a questionar se estava no caminho certo. Nesses momentos, fui atrás de motivação. Entrei para o grupo estudantil da universidade que traz alunos estrangeiros para estagiar no Brasil e manda estudantes para fora - a Aiesec Campinas. Logo passei a liderar um time de sete pessoas. E foi por meio desse trabalho que participei de um programa de intercâmbio, em Munique, na Alemanha. Com tudo pago! Tinha 22 anos e nunca havia viajado sozinha. Morei em uma residência estudantil com uma garota da África do Sul e com uma chinesa. Visitei empresas que desenvolviam trabalhos de sustentabilidade, apresenteiuma palestra em inglês sobre as organizações brasileiras envolvidas com projetos de crédito de carbono e energia renovável e passei um fim de semana nos alpes da Bavária sem luz e sem água - tomando banho no lago gelado! - para viver a experiência de não ter energia elétrica. Na volta para casa, mais desafios: perdi o avião para o Brasil na conexão com Madri. Fui atrás de um albergue e ia fotografando as ruas da capital espanhola para não me perder.
CARREIRA, CREMES, TERAPIA... A viagem me fez perder o medo de arriscar. Exemplo? Não falo espanhol muito bem, mas me viro quando tenho uma reunião com profissionais da América Latina. Essa segurança me ajuda a acreditar que vou começar a minha carreira com o pé direito. Ando bem ansiosa. Já estou pesquisando vários programas de trainee. Sonho com um cargo em que eu possa aprender muito e ser bastante valorizada. Sou proativa e prefiro ter vinte tarefas para cumprir ao longo do dia do que apenas duas. Aliás, o trabalho e a faculdade consomem boa parte dele de segunda a sexta, mas ainda assim não abro mão do ritual diário de beleza. Sou louca por cremes! Uso filtro solar diariamente, creme para olheiras, hidratante... Não saio de casa sem blush e, nos lábios, adoro um gloss. Meu cabelo é meu amigo e não demanda tantos cuidados. Mas, como gosto dele bem lisinho, vivo fazendo escova em casa.
Cada minuto do sábado é muito bem usado. Às 9h30 já estou suando o top nas aulas de jump e de local no Tênis Clube de Campinas. À tarde, tenho a sagrada terapia. É aquele momento 'Eu comigo mesma'. Preciso dessa hora para parar e me organizar, fortalecer a autoestima. Se sossego depois disso? Que nada! Às vezes, até passo na costureira. Quando vejo uma roupa linda numa revista e que custa uma fortuna, peço para ela fazer igual.
É no fim de semana que aproveito para curtir a minha mãe, com quem moro, tomar café da manhã com meu pai (eles se separaram quando eu tinha 12 anos, mas superei o trauma), rever minha irmã, Luciana, de 22, que faz faculdade fora da cidade, conversar com as amigas numa happy hour e, claro, dar toda a atenção ao namorado, Marco, 24 anos. Há dez meses estamos apaixonados. Meu homem ideal? Um cara inteligente, respeitador, romântico, que preza a família e tem ambição. E o Marco é tudo isso. Penso em casar, no entanto esse é um projeto para depois dos 30 anos. Hoje, a mulher tem essa opção - engravidar com 35 não é o fim do mundo. Sorte nossa. Assim fazemos escolhas com mais maturidade. Vou mudar bastante até a troca de alianças. E atingir estabilidade profissional. Agora, é a carreira o meu alvo. E, como uma legítima mulher de NOVA, vou lutar para conquistar o lugar que mereço!"