As eleitas
Conheça a Janine Diniz, de Natal, RN
NATAL Autoconfiança não falta para a potiguar Janine Diniz. Nascida em uma família simples que progrediu bastante, esta morena de 27 anos poderia levar uma vida mansa estirada aos seus pezinhos de princesa. Mas preferiu abrir mão de todo o conforto - e até do futuro marido - para andar com as próprias pernas e se lançar na carreira de empresária da moda. Determinada, corajosa e super, superglamourosa, a atual dona da franquia da badalada grife Maria Bonita Extra de Natal não deixa que nada a impeça de concretizar seus desejos. Sempre com um sorriso e sem jamais descer do salto. Literalmente.

"Se pudesse definir minha vida em uma frase, seria a famosa 'sou mais eu'. Confio no meu taco, sou destemida e não aceito não como resposta. Tanto que troquei um negócio de família prontinho pela incerteza de tentar ser uma mulher independente. O percurso foi duro, mas valeu a pena: sou dona do meu nariz, abri meu próprio negócio e já tenho planos de expandi-lo. Claro que não foi tão simples assim. Sou natural de Assu, no interior do Rio Grande do Norte, a 200 quilômetros de Natal, onde morava com meus pais e meus irmãos, Jemima e Wild. Como a cidade é muito pequena, aos 11 anos passei a viver na capital para estudar em um colégio mais bem-conceituado. Éramos apenas eu, Jemima e uma babá: meu pai, Dinarte, batalhou muito para ser dono de quatro postos de gasolina no interior e não concebia ficar longe dos negócios. O lado bom foi que aprendi rapidamente a tomar decisões por conta própria e a ser responsável, como você vai ver.

Corpo em evidência A mudança foi ótima para minha evolução em todos os sentidos, só que também trouxe ansiedade. Comecei a comer demais e a ganhar peso. Por algum tempo, não ligava de ser a gordinha da turma. Mas fui crescendo, ficando vaidosa, e isso passou a me incomodar. A moda potiguar é audaciosa. Enquanto as meninas usam microshort, barriga de fora, roupa colada, decote, eu vivia de camisetão. Resolvi emagrecer de qualquer jeito. E quando decido uma coisa... Sai de baixo. Inventei um regime maluco e em um mês perdi 13 quilos. Sem me dar conta, a dieta ficava mais radical a cada dia até que praticamente parei de comer. Quando minha mãe percebeu a situação, me levou à nutricionista. O veredito: eu estava começando a desenvolver anorexia. Foi aí que caiu a ficha e tomei uma decisão bem mais coerente: a de alcançar o equilíbrio. Como todas as minhas resoluções, segui essa à risca e desde então consegui engordar apenas o suficiente para chegar ao meu peso ideal, sem exageros. Em Natal, fazer uma dieta balanceada é bem mais difícil do que se imagina. Por ser uma cidade litorânea, com praias lindas, água-de-coco e corridas à beira-mar, todos acham que nossa alimentação é supersaudável. Nada disso! Aqui a gente come muito e muito bem, obrigada! Café da manhã não é frutinha e torrada. É tapioca com leite condensado, cuscuz, carne seca, rabada... Adoro, e justamente por isso procuro me controlar sem neuras. Ainda freqüento a nutricionista e malho quatro vezes por semana com personal trainer. Sábado e domingo, aí sim, como à vontade. Com o corpo em ordem, posso abusar das excentricidades fashion. Tanto que costumo chamar a atenção pelo meu estilo moderno. Aliás, sou louca por maquiagem. Meu nécessaire é recheadíssimo, vou atrás de todas as novidades e me divirto lançando tendências na cidade.

Adeus noivo, hello carreira! Tenho certeza de que já deu para perceber que não sinto medo de correr riscos. Mas após terminar o colégio e me livrar da anorexia fiz a escolha menos ousada do mundo: cursar administração de empresas e trabalhar com meu pai. No começo foi tudo bem. Só que quanto mais o fim do curso se aproximava, mais ficava insatisfeita por ter escolhido o caminho mais fácil. Eu tinha de achar outra saída. Decidi passar seis meses na Inglaterra estudando inglês e, na volta, resolver o que fazer. Assim que pisei no Brasil não tive escapatória. Sem dinheiro e ainda cheia de dúvidas sobre o futuro, fui morar de novo na casa dos meus pais em Assu e trabalhar nos negócios da família. Papai me entregou o posto de Carnaubais, cidadezinha de apenas 10 mil habitantes, para gerenciar. Foi uma experiência desafiadora. Aprendi a trocar óleo, encher tanque, lavar carro, fazer contas, lidar com funcionários... Precisava usar roupas largas para não chamar a atenção do povo. Imagine só que vesti uma camiseta de decote canoa e acabou aparecendo uma pequena estrela tatuada que tenho no ombro. No dia seguinte não se falava em outra coisa: 'Dinarte mandou a filha drogada cuidar do posto. Ela tem o corpo inteiro coberto de tatuagens'. Outra vez, fui atender um senhor e ele se recusou a falar comigo porque 'não se submeteria a uma mulher'. Tenha dó... Para completar, estava noiva de um advogado amigo da família. Apesar de querido, não acompanhava meu ritmo. A poucas semanas do casamento, com convites já no correio, surtei. Visualizei minha vida inteira de repente. Cuidando de um posto, casada com aquele homem tão diferente de mim, tendo filhos no interior, vendo meu mundo assim tão restrito. Nem pensar: eu queria muito mais. Rompi o noivado e senti um grande alívio. Aproveitei o momento de coragem e disse a papai que meu sonho era trabalhar com moda. Essa era minha verdadeira paixão. Ele ficou decepcionado por eu não querer ficar no posto de gasolina, por ter aberto mão do que ele me ofereceu. Tentando convencê-lo de que já sabia o que era melhor para mim, fui morar em São Paulo e fiz um curso de moda no IED (Istituto Europeo di Design). Aí percebi que a área que me interessava não era a de estilismo, como a maioria dos alunos. Vi que simplesmente gosto de moda e gosto de administrar. Pensando nisso, decidi abrir minha própria loja em Natal. Finalmente, sabia o que queria fazer para o resto da vida. Sem perder um minuto a mais, fiz uma proposta ao meu irmão Wild: o posto de gasolina dado por meu pai em troca do dinheiro necessário para abrir a minha loja. Ele topou, feliz. Voltei para Natal de mala e cuia, sozinha. Estudei bem o mercado e vi que seria difícil competir com o comércio local. Então tive a idéia: abrir uma franquia famosa, moderna, jovem, diferente de tudo o que já havia na cidade. Lembro que procurei várias grifes para me oferecer como franqueada, e muitas fecharam as portas. Me achavam jovem e ainda por cima inexperiente na área de moda... Acontece que não desisto de nada que quero. Abri a primeira franquia da grife carioca Maria Bonita Extra no estado do Rio Grande do Norte um ano atrás. Quando estava sendo construída, no Natal Shopping, os tapumes que cobriam a obra eram estampados de dourado, todos coloridos e brilhantes. As pessoas passavam na porta e ficavam espantadas, nunca tinham visto uma loja assim. Na inauguração, finalmente papai veio conhecer meu negócio. 'Meu Deus, Janine, a loja é enorme!', disse, assustado. Respondi na lata: 'Se for para me jogar em algo, que seja algo extraordinário'. Foi aí que ele voltou a me apoiar. Hoje, a loja é sucesso total. Já recuperei o dinheiro investido e planejo ter mais uma franquia em 2011.

Que venha o melhor Com tantos projetos na cabeça, pode parecer que não sobra muito tempo para pensar em namorado. Não sobra mesmo, e assumo que não é uma prioridade no momento. Na verdade, acho difícil achar alguém que me satisfaça. Para começar, não sou uma mulher que fica à toa, na balada. Adoro sair e todo fim de semana vou dançar com amigos, papear em barzinhos... Mas esses momentos são para relaxar e curtir, não paquerar. Não perco meu tempo, sou muito pé-no-chão - e no quesito relacionamento isso não deixa de ser regra. Sei como é o homem que quero para namorar: maduro, com o mesmo estilo de vida que eu, disposto a construir uma relação gostosa. Enquanto ele não aparece, prefiro não me envolver com qualquer um só porque estou sozinha: sou independente desde os 11 anos e adoro minha própria companhia. Afinal, sou mais eu. E sou feliz!"

Ser uma nova mulher natalense é...
  • Gostar de mexer o corpo: dançando, correndo, malhando na academia
  • Trabalhar muito para conquistar independência financeira e pessoal
  • Vestir minissaia, miniblusa, minivestido... sem medo de ser feliz
  • Ser desinibida, falar o que pensa e gostar do que é bom
  • Tentar superar todo e qualquer desafio sempre com bom humor




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