As eleitas
Conheça a Polyana Camila Coelho Santos, Goiânia (GO)
GOIÂNIA Se você quer incentivo extra para correr atrás de seus objetivos, precisa ler - agora! - a história da goiana Polyana Camilo Coelho Santos, 25 anos.

Assim como a personagem da literatura de mesmo nome, essa advogada consegue ver uma oportunidade até nas situações mais difíceis. No dia-a-dia da nossa leitora, palavras como improvável, impossível, complicado, se transformam em determinação, foco, motivação. Foi o que descobrimos depois de percorrer os 830 quilômetros que separam Campinas (SP) da capital do estado de Goiás. Inspire-se na paixão de Polyana pela vida. E se você mora em Curitiba, Natal ou Recife, ainda dá tempo de se inscrever para a temporada 2009 desta série de reportagens. Polyanna curtiu muito abrir seus amores, sonhos e conquistas que a tornam uma NOVA Mulher Brasileira.

"Eu cheguei lá. É assim que me sinto toda vez que entro no Clube dos Advogados de Goiás, um pedacinho do céu na terra que fica praticamente ao lado da minha casa e a apenas 15 minutos do centro de Goiânia. Um lugar bonito demais da conta, cheio de pássaros e outros animais silvestres - tem até macaquinhos! -, com espaço para eu me exercitar, relaxar, tomar sol, nadar na piscina, namorar, conversar com os amigos, pensar na vida... Além de me proporcionar todos esses prazeres, há uma razão especial para me sentir tão bem nesse espaço: ele simboliza as minhas vitórias e conquistas.

Deixa eu explicar do começo. Venho de uma família humilde e desde cedo soube que teria de batalhar se quisesse chegar a algum lugar. Por isso, estudar e trabalhar ao mesmo tempo era uma rotina mais do que natural para mim. Mentalizava que seria uma mulher bem-sucedida e que jamais daria motivo de me chamarem de pamonha, sabe? Aquela pessoa mole, preguiçosa... Ter isso claro na minha cabeça ajudou a não ficar me queixando do destino - nem quando precisei trancar a faculdade por um ano porque meu salário de telefonista não permitia. Pelo contrário, a certeza de que chegaria lá era que mais me motivava. Contrariando todas as probabilidades, eu consegui entrar na faculdade de Direito aos 17 anos. Não seria a mensalidade que me derrubaria, ora.

Retomei o curso com a ajuda de uma bolsa de estudos e de dois estágios. Pela manhã eu trabalhava em um cartório e fazia inclusive casamentos. Era divertido - se bem que uma vez foi triste. Você acredita que o noivo disse não na hora de assinar os papéis? A noiva chorava, os pais dela brigavam como o rapaz... Uma confusão. Na parte da tarde, ia para o estágio no fórum. Ali, o clima era tenso, pois eu lidava com presos, acusações de crimes... Ficava chocada ao ver pessoas algemadas. À noite, pegava um ônibus e rumava para a faculdade. Até que me recebi o diploma, modéstia à parte, com ótimas notas. E antes mesmo da minha colação de grau passei na primeira fase do Exame de Ordem dos Advogados (sem cursinho!). Entre um preparativo e outro para a formatura, estudava para a segunda fase. Venci essa também.

Banho completo de autoestima Posso dizer que equilibrei bem todos os pratos nos últimos anos. Para ser bem sincera... quase todos. Um deles - o da minha vida amorosa - havia caído e se espatifado no chão. Tudo porque me apaixonei em 2005. Perdidamente. Depois de sete meses de uma relação intensa, o Lázaro terminou comigo. O motivo? Ele não soube dizer. Enfrentei um período difícil e doloroso. Quando o meu amor começou a se relacionar com outras garotas, em 2006, minha depressão aumentou. Imagine o que é ser mulher em uma cidade abarrotada de concorrentes? Olhando ao redor, tenho a nítida impressão de que há mais de dez para cada homem. Aqui, os goianos 'nadam de braçada'. Achei que não ia segurar a barra. Engordei, deixei de cuidar do cabelo, de fazer as unhas... Um dia me olhei no espelho e percebi que não havia perdido apenas o namorado. Tinha perdido o amor próprio. Foi aí que dei um basta!

Além de me matricular em uma academia de ginástica, voltei a frequentar o salão e a fazer coisas que me davam prazer, como sair com as amigas. Aliás, a vida fica muito melhor com elas. A Elaine foi minha grande companheira nessa volta por cima. O engraçado é que herdei a amizade da minha irmã mais nova. As duas eram como unha e carne. A Priscilla casou, em seguida teve meu sobrinho, e elas acabaram se distanciando um pouco. Daí, nos tornamos íntimas. Solteiríssimas, saíamos de segunda a segunda. Assistíamos a shows, íamos a barzinhos, nos acabávamos nas compras - e nos divertíamos muito. Voltei a ficar de bem comigo mesma e até me envolvi com outra pessoa. Mas o Lázaro continuava na minha cabeça. Eu era doida por ele.

De repente, o moço me ligou. Lembro exatamente a data: 18 de agosto de 2007. Véspera do exame da Ordem, primeira fase. Nos encontramos e tivemos uma noite perfeita, maravilhosa. Só que... ficou por isso mesmo. Não voltamos. Mas dessa vez eu estava mais forte, mais confiante, mais focada na minha vida. Tanto que fiz uma boa prova. E durante um período nossa história foi assim: a gente se encontrava de vez em quando e cada um seguia seu rumo. Mas eu estava irremediavelmente decidida a reconquistá-lo. Minha meta era fazer com que ele não quisesse mais arredar o pé de perto de mim. Meu plano de ação para atingir esse objetivo: seguir todos os conselhos de NOVA. Continuei a me mostrar uma mulher segura, mas passei a ser mais carinhosa, feminina, companheira. Então, no começo deste ano, logo que voltei de uma viagem a Porto Seguro, na Bahia, com amigos (o Lázaro quis morrer!), ele me pediu em namoro! Estamos juntinhos e muito, muito felizes. Nossa relação melhorou muito. Acho que esse período que passamos separados serviu para amadurecermos. Aprendi que antes de gostar de alguém, tenho que gostar de mim mesma.

Decisões emocionantes Estou vivendo uma fase realmente maravilhosa. Além de o coração estar nas nuvens, dei uma guinada na minha carreira. Há dois meses troquei a função de assessora jurídica da Procuradoria Geral do Município de Aparecida de Goiânia pelo atendimento em escritório. Quando recebi a proposta para atuar com um grupo de advogados, confesso que fiquei com frio na barriga. Afinal, deixaria um salário fixo para trabalhar como autônoma. Mas voltar a lidar diretamente com as pessoas, ajudá-las a resolver seus dilemas, falou mais alto. Essa é a minha verdadeira paixão no Direito.

Meu grande mentor, o dr. Silvio José Rabuske, juiz de Direito da Primeira Vara Criminal de Aparecida de Goiânia, com quem estagiei, me ensinou que por trás de um processo, de uma pilha de pastas, existem várias vidas: a do acusado, a da vítima, a da família de cada um deles. Não se trata apenas de sentenças e pareceres, e sim de histórias reais. O advogado precisa estar ciente de que tem nas mãos uma responsabilidade gigante. Quando um cliente chega de cabeça quente e eu consigo resolver seu problema, nossa! Não dá para descrever a emoção que sinto só de ver o alívio estampado no rosto dele. É como se estivesse doente e depois encontrasse a cura.

Acho que nada acontece por acaso. Não é a toa que me realizo ao ajudar alguém a dar a volta por cima, a superar obstáculos, a não desistir daquilo que acredita ser o certo. Eu sou assim. São os meus princípios que me fizeram chegar até aqui. Na verdade, a semente dessa determinação começou a germinar quando eu ainda nem sabia o que ia ser na vida e passava na frente do Clube dos Advogados. O lugar me encantava e eu ficava imaginado como seria bom fazer parte daquele mundo. Pensava: "Só deve ter gente importante aqui". E hoje, superando as dificuldades, contrariando as probabilidades, aqui estou eu! Nadando, me exercitando ou apenas relaxando e relembrando o caminho que percorri até passar pela portaria do clube. Entende, agora, por que ele é o símbolo das minhas conquistas?

Ser uma NOVA mulher goiana é...
  • passar lápis de olho até para descer na portaria do prédio
  • andar sempre na moda sem gastar muito dinheiro
  • gostar de homem atencioso, mas fugir do tipo carrapato
  • usar biquíni pequeno
  • ter autoconfiança para lidar com a forte concorrência feminina




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