As eleitas
Conheça a Ana Maria Vanin Kuklik, de Curitiba, PR
CURITIBA Será mesmo que a capital do Paraná é a terra das loiras geladas? Não foi o que descobrimos. Lá encontramos a leitora Ana Maria Vanin Kuklik, 24 anos, fogo intenso da cabeça ao salto 15. Ainda pequena, decidiu seguir a carreira da mãe - fotografia. Mas não aceitou nada de mão beijada. Imprimiu seu próprio olhar ao trabalho e salpicou muito glamour aos retratos que faz. E como boa escorpiana, luta apaixonadamente por seus objetivos. Conheça sua história aqui.

"Juro que não lembro exatamente quando decidi me tornar fotógrafa. Parece que faço isso desde que nasci! Cresci vendo minha mãe bater retratos. Aos poucos, passei a bancar a assistente segurando rebatedor, ajudando na produção... Até que chegou a hora de escolher o que estudaria na faculdade. Não tive dúvida: optei por publicidade e propaganda, que tinha fotografia como disciplina, e logo me candidatei à estagiária do curso. O trabalho era duro, mas muito prazeroso. E, de quebra, ganhei jogo de cintura e capacidade de improvisar - hoje, características essenciais no meio dia-a-dia profissional. Vou explicar melhor: é que aaamo fazer eventos, em especial, casamentos. Por quê? Primeiro, viro testemunha do momento mais feliz da vida de um casal (não espalhe por aí, mas confesso que não é raro me pegar chorando por trás das lentes vez ou outra, em algumas situações que transbordam emoção). Segundo porque gosto de clicar instantes que não acontecerão novamente. É muito mais intenso do que comandar uma sessão com modelos, por exemplo.

Já deu para perceber que sou apaixonada por essa carreira. Que tem muito glamour, verdade: estou sempre em festas, circulando entre gente interessante e bonita. Mas que também exige muito esforço e dedicação. Para começo de conversa, não tenho sábado, domingo, às vezes nem feriados. E pensa que dá para simplesmente investir em uma câmera de última geração e sair por aí? Hoje, todo mundo pega uma máquina digital (até de celular!) e se acha fotógrafo. O mercado é competitivo, eu preciso me diferenciar - e sei que vou conseguir (estou indo bem: já tenho sete casamentos agendados para o ano que vem). Sou persistente. Não me canso de ir a congressos, fazer cursos de especialização, procurar referências, tentar estágios com profissionais que respeito aqui em Curitiba e em outros estados. Meu trabalho mostra quem eu sou. Ainda mais agora que estou solteira... Meu foco é 100% carreira!

De menina a mulher em 11 meses Bem, tem mais um motivo para eu me sentir realizada fotografando trocas de alianças: sou absolutamente romântica. Penso em viver feliz para sempre logo que conheço um príncipe encantado. Mimo meu amor sem o menor pudor. Não consigo me imaginar daqui a alguns anos sem filhos lindos. Falar sobre esse assunto aperta um pouco meu coração: acabei de terminar um namoro de quase quatro anos. Eu e o Leandro fizemos faculdade juntos e no fim do curso resolvemos passar um ano viajando pela Europa. Sabia que a experiência seria única, importante para o meu crescimento. Consegui o dinheiro da passagem, e o suficiente para me manter por um mês, com meu pai. Meu argumento foi que ele havia pago cursos de pós graduação para meus dois irmãos, Eduardo e Liana, e a viagem teria a mesma função para mim. E garanti que o restante ficaria por minha conta. Chegamos, eu e o Lelo, à Amsterdã. Depois rumamos à caríssima Paris, passamos por Barcelona e seguimos para Lisboa. Como adorei a Espanha, voltamos e fixamos residência em Barcelona. O problema é que, por não ter cidadania europeia, não conseguia emprego. O pé de meia que havia levado estava acabando e eu, escorpiana tinhosa, não queria pedir nem mais um tostão ao meu pai. Jamais aceitaria fracassar nessa empreitada! Moramos em quartinhos (um deles de uma senhora louca que nos vigiava; em outro, de uma brasileira, encontramos até camisinha debaixo do colchão), tentei modelar, até aceitei trabalhar com um fotógrafo que conheci na fila do mercado. Mas nada de a grana pintar.

Resolvemos, então, seguir para Londres, onde ficaríamos hospedados na casa de um tio do Lelo. Ele arrumou trabalho como modelo na Tailândia e fiquei sozinha... fazendo jardins! É isso mesmo: a neve caía lá fora e eu, que nunca tinha lavado um prato em casa, arrancava ervas daninhas à unha, capinava, ceifava mato. Não disse que a experiência me faria virar mulher? Além de ter ficado com bolhas nas mãos, aprendi a lidar com meus medos, angústias, alegrias... Um mês mais tarde, consegui o bastante para seguir para a Tailândia, ao lado do meu (ex) amor. O problema é que cheguei lá 10 quilos mais gorda. Quando o Leandro disse que me ajudaria a emagrecer, quase caí no choro. Mas não me abalei. Comecei a trocar e-mails com uma amiga nutricionista aqui no Brasil e perdi grama por grama. Avisei que sou obstinada...

Na Ásia, visitei lugares incríveis: Malásia, Cingapura, Camboja, Indonésia, Hong Kong. Assisti ao famoso Ping-Pong Show - em que as tailandesas tiram bolinhas, dardos, bolos e muuuitas outras coisas estranhas da vagina! E terminam fazendo sexo explícito. Era para ser muito sexy, mas em alguns momentos, confesso que ficava bizarro. Também montei minha primeira exposição de fotos, quem diria, na Tailândia. Fui responsável por tudo: da montagem dos painéis até os petiscos servidos no evento.

Coração sem dono Quando voltei ao Brasil, 11 meses depois, realmente não era mais uma menina. Tinha me tornado mulher. E isso me fez ter coragem para terminar um relacionamento que, aos olhos de todos, parecia perfeito. Eu, inclusive, ainda gostava dele. Mas a relação estava desgastada e o Lelo não me dava mais a atenção que achava merecer. Refleti bastante (para não correr o risco de me arrepender), respirei fundo e, decidida, rompi. Não quero continuar em uma relação que não está legal só para não ficar sozinha. Eu me adoro e não dependo de ninguém para ser feliz. E também tenho certeza de que vou encontrar alguém que me valorize, me apóie, entenda a rotina puxada da minha profissão... E que tenha pegada, lógico. Meus amigos costumam comentar que não sou sexy. Sou sexual! Não que seja atirada na balada - nós, curitibanas, achamos que quem deve conquistar e tomar a atitude na paquera é o homem. Mas não economizo minhas armas de sedução: o olhar, o sorriso, um papo inteligente. Acredito no destino e sei que meu príncipe está guardado. E que eu hei de ser muito feliz.

Moça de família Enquanto isso não acontece, vou curtindo a vida. Moro com a minha mãe (meus pais são separados) e meus dois irmãos, em uma casa em Campo Largo, há 20 quilômetros de Curitiba, que vive cheia. Toda sexta e sábado, por exemplo, minhas amigas vêm para cá, nos maquiamos e nos produzimos juntas para sair. É uma festa. Também gosto de chamar a turma e preparar jantares. Tenho uma receita de camarão caribenho que faz o maior sucesso e não leva mais de 15 minutos para ficar pronta! No mesmo terreno, moram meus tios e meus avós, o que também faz a agitação ser constante. Sim, sou bastante família. Não à toa moro e trabalho com a minha mãe. Verdade que às vezes dá briga. Mas, no geral, nos damos muito bem. Mesmo quando o assunto é dinheiro. Falando nele... Sou um pouco descontrolada financeiramente. Nunca sei ao certo quanto vou ganhar no fim do mês e sou louca por compras. Confesso que às vezes chego com mais sacolas em casa do que devia (e depois, minha irmã advogada com vocação para personal stylist ainda me faz trocar as peças que não aprovou). Em 2010, quero me organizar e abrir uma poupança. Para gastar, quem sabe, com minha carreira ou com um novo amor. Promessa de Ano-Novo!

Ser uma NOVA mulher curitibana é...
  • Usar as peças mais sexy da estação e desfilar por aí como se não fosse de caso pensado.
  • Gostar de homem cavalheiro, que abre a porta do carro e paga a conta do jantar.
  • Largar tudo para tomar 15 minutinhos de sol - artigo raro na capital mais fria do país. Mas jamais sair de casa sem guarda-chuva.
  • Investir na carreira tanto quanto no sonho de casar e ter filhos.
  • Não tomar a atitude na paquera, mas acreditar no poder do olhar para seduzir (e caprichar na máscara para cílios!).




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