Quando um namoro chega ao fim, é difícil se livrar das sobras da relação. A lembrança dos momentos e da companhia que um dia foram bons provoca muita tristeza. A "dor da perda" não é apenas força de expressão, segundo estudo da Universidade de Michigan, nos EUA. O amor (ou a falta dele) dói de verdade. As mesmas áreas do cérebro que reagem ao sofrimento físico são ativadas em casos de rejeição e perda. O alívio só vem depois que conseguimos organizar a pilha de cacos emocionais deixados pelo relacionamento falido. Por isso, é preciso ter calma para revirar os entulhos e fazer a coleta seletiva.
De tanto se desdobrar, o namoro ficou cheio de marcas. Até rasgar de vez. A designer gráfica Mariana Siqueira, 25 anos, teve uma experiência assim: "Eu não entendia que ele não queria se envolver". Entre idas e vindas, ficaram três anos juntos. Tanta instabilidade desgastava. Nem sempre conseguimos perceber, mas alguns sinais deixam claro que uma relação não tem mais futuro: "Falta de respeito e de admiração são os mais evidentes", diz a psicoterapeuta Lúcia Rosenberg, de São Paulo. "Quando há mais frustração do que prazer, significa que o amor acabou", completa. Mariana aprendeu com a situação: "Agora sei identificar quando um relacionamento não tem futuro, não vou mais perder meu tempo", afirma.
O namoro acabou com a mesma facilidade com que se amassa uma latinha de refrigerante. O namorado da médica Bianca Dias, 25 anos, era uma incógnita: "Às vezes ele queria ficar comigo, outras preferia estar sozinho (ou com a ex). Percebi que eu não queria alguém tão indeciso ao meu lado". E ela estava certíssima. "Agora tentarei me envolver somente se sentir que ele também não tem dúvidas de que quer manter algo sério comigo", diz Bianca. "Nesse caso, o melhor a fazer é não deixar a ferrugem de outra pessoa tirar o seu brilho", afirma a psicóloga Lisette Weissmann, de São Paulo.
Assim como o plástico não resiste ao calor, seu namoro não suportou a interferência "dos outros". A estudante de direito Camila Dias, 21 anos, conta que se incomodava com o fato de o ex-namorado nunca querer sair com os amigos dela. "E, quando topava, ele ficava bêbado e começava a brigar. Depois de um tempo, fui deixada de lado. Ele via mais os amigos do que a mim." A relação durou dois anos e sete meses. "Foi bom para aprender que não posso me anular em função do outro." Manter um relacionamento dá trabalho. "Administrar o tempo e fazer concessões é fundamental", diz Lúcia. Mas, para isso, os dois têm de estar dispostos. Amor só não basta. É preciso haver admiração e dedicação.
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