Gunther já conhecia Larissa e George. Quando eles se encontram numa festa, o clima esquenta. Isso é só o início de um triângulo amoroso em Três (Suma de Letras).
A flor branca de tule que Larissa tinha enfiado entre os cabelos negros era linda. Gunther foi pegá-la em casa e até lhe ofereceu o braço. Foi difícil ficar tão perto dele. Bastou que Gunther parasse um táxi, abrisse a porta para ela e entrasse do lado oposto para que Larissa sentisse que ser ela, aquela ela, para Gunther, era uma das coisas que poderiam salvá-la. Fora do Rialto havia grupinhos de pessoas que esperavam sua vez.
— Vamos esperar um pouco - disse Gunther, largando finalmente o seu braço e acendendo um cigarro.
— Estamos esperando alguém?
— Meu amigo francês. Está atrasado, mas deve chegar a qualquer momento.
Larissa sentiu a flor deslizar pelos cabelos. Ajeitou-a com um gesto veloz e ficou olhando reto para a frente.
Cruzaram a sala em direção ao bar e Gunther foi abordado por uma mulher alta, cuja franja cobria quase inteiramente os olhos. Usava uma camiseta preta transparente e tinha cobertos os mamilos com fita adesiva preta.
Gunther foi atraído pelas duas tiras pretas sobre os mamilos e abriu a boca como se quisesse recebê-los, sorrindo para a mulher e beijando sua boca.
— Gunther!
Ele virou e fitou um ponto acima da sua cabeça.
— O que houve? Ah... George!
Larissa levantou do pufe e, ignorando George, que ocupou seu lugar, dirigiu-se para o bar.
Quando retornou com um copo cheio até a borda, os três continuavam sentados. Gunther tinha levantado a camiseta de Valeria e fazia cócegas nos mamilos.
— Você é George? - perguntou ao desconhecido que tinha tomado seu lugar. Ele fitou seu estômago antes de subir até o rosto.
Larissa não suportava ficar assistindo àquele joguinho, pensando que poucos minutos antes havia sentido o toque de Gunther em seu braço e intuído seus olhos deslizando por seu corpo.
A flor nos cabelos continuava a escorregar, mas nem por um instante teve vontade de prendê-la na blusa ou guardar no bolso. George segurou a flor com o dedo um segundo antes que caísse no chão.
Larissa sentia o sangue escorrer rápido demais para que conseguisse suportar aquele lugar nem que fosse por mais dez minutos e convidou George e Gunther para ir à sua casa.
— Tenho meia garrafa de vodca e podemos comprar mais no caminho. Os dois amigos trocaram olhares e em seguida, talvez nem tão ingenuamente, Gunther disse que ia procurar Valeria: talvez ela gostasse da ideia.
Quando Larissa acendeu um cigarro, teve a impressão de estar voltando ao mundo. Respirou profundamente a fumaça e o ar frio das horas que superavam a meia-noite. Pensou em Gunther junto com Valeria, e mais uma vez sentiu um arrepio percorrer sua pele. No entanto, não era isso que a perturbava, pelo menos não exatamente. Era o desejo. Nunca tinha desejado alguém de verdade. Era a primeira vez que esse tipo de consciência abria espaço entre suas antigas certezas.
Só descobriu muito tempo depois que, naquela noite, foi mesmo o desejo, e não um disfarce qualquer, que a fez adormecer espremida entre George e Gunther.
O que desejava fazer estava claro mesmo quando Gunther também tinha escolhido: escolhido Larissa e George, e feito aquela escolha desde o primeiro momento, tanto que deixou Valeria ir embora algumas horas depois.
Gunther e George ficaram olhando para Larissa quando ela se afastou, ouviram o deslizar de lençóis quando entrou na cama. Trocaram um daqueles sorrisos.
George só fez se estender, ao lado de Larissa, sobre quem Gunther havia se lançado às cegas. A escuridão apagava os rostos como um tapete mágico, e a única coisa que conseguiam reconhecer eram as mãos, diferentes demais para serem confundidas. Enquanto a mão áspera e grande de Gunther usava pouca educação e muita urgência no seio de Larissa, no pescoço corriam os dedos delicados e frios de George, que desejava que as unhas dela roçassem, com uma dor bem leve, os seus mamilos. Gunther estava de costas, as pernas abertas, a mão de Larissa na parte interna da coxa, depois os tornozelos dos três, trançados, os lábios de todos sobre todos, as línguas escondidas nas fendas, a exibição impudica das respirações ofegantes e depois Larissa sobre George e Gunther sobre os dois, e a mão dela entre o sexo dos dois homens, a mão que aproximava os dois homens, os três sexos unidos, os cabelos como cascatas, quentes e pungentes, os suores deslizantes e palpáveis, os dentes sobre a carne, as unhas sobre a pele, os olhos fechados e depois abertos para a escuridão, a vida em círculo, sem ângulos, gravidade inexistente, prazer inevitável, como uma totalidade que se romperia se um dos três faltasse. Era como se um ímã tivesse recolhido os pedaços de cada um e arrumado ordenadamente.
Larissa e George transaram naquela noite, enquanto Gunther dormia. Tinham tesão, e admitir isso foi muito fácil para Larissa, que de vez em quando lançava um olhar a Gunther, reconhecendo que sentia mais atração por George, embora o cheiro de Gunther fosse capaz de penetrar suas narinas e seu coração mais fundo que qualquer coisa. Assim, acalmaram as almas e tiveram bons sonhos.
— Sabe como nascem os cucos?
— Claro que sei. E você sabia que cada vez que um cuco canta depois do pôr do sol morre a primeira filha mulher de um camponês? - replicou Larissa.
George estava sentado numa cadeira na cozinha, tomando café.
— Bem, dessa eu realmente não sabia.
Ficou olhando enquanto ela deixava os grãos de café deslizarem dentro do moedor: o corpo nu, descomposto pelo movimento giratório da mão fechada ao redor da manivela, balançando os seios, as coxas, as bochechas, os cabelos.
George sentiu uma estranha sensação de êxtase: estranha porque em geral ficar parado no tempo e no lugar costumava enchê-lo de tristeza. Mas naquela manhã se sentiu feliz em sua imobilidade, naquele tempo que não seguia nenhuma lei, naquele lugar protegido do sol e com aquela mulher recém-encontrada, com quem tinha consumado seu amor a noite inteira, mas estava pronto para recomeçar pelo dia afora.
Larissa pisou numa tira de adesivo preto que grudou na sola de seus pés. Arrancou-a e a jogou no lixo. George se perguntou se mostrar sua excitação a incomodaria, mas viu o sorriso que ela lhe mandou enquanto servia seu café. Não teve medo e se aproximou de seu corpo nu.
Possuiu-a sobre a bancada lisa ao lado do fogão. Fizeram amor lentamente e sem reservas, como amantes no auge de sua história, que conhecem cada desejo secreto do outro. Foi fácil gozar sob as investidas de George, inevitável viver alguns instantes de morte, como se o coração tivesse interrompido sua corrida no momento em que sentia o sexo dele pulsar líquido dentro dela. Ela se deixou deslizar sobre a bancada.
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TrêsAutor: Melissa P. |
Sexo: ![]() |
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Romance: ![]() |
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