A fantasia de ser dominada

Texto Isadora Penteado / Foto Karine Basilio

Orgasmo incontrolável

“Sonhar ser dominada coincide com a fantasia de se sentir irresistivelmente sexy”, fala a sexóloga Marina Simas de Lima, do Instituto Paulo Gaudencio, em São Paulo. E, cá entre nós, autoconfiança nas alturas é um afrodisíaco daqueles!

Outro fator excitante: quando a amarram e a obrigam a transar, você não tem o menor controle. A situação é imprevisível, não dá para saber o que virá em seguida... Quem não sente um frio na barriga com o inesperado, o imponderável? “Semana passada, tive uma das transas mais incríveis de toda a minha vida”, conta Diana*, dentista de 27 anos. “Comentei com meu noivo que sempre sonhei ser pega de jeito (e de surpresa) e ele aceitou a missão com um sorriso misterioso no rosto. Quando chegou em casa, na sexta à tarde, nem tocou a campainha. Ao me encontrar arrumando uns livros na estante, envolveu minha cintura por trás, tampou minha boca, me segurou pelo braço e me jogou dobrada nas costas de uma poltrona, sem falar uma palavra. Ainda me impedindo de gritar ou de mexer o corpo, arrancou minha calça junto com a calcinha e me penetrou sem pedir licença, enquanto dava tapas no meu bumbum e me chamava de morena gostosa. Ele mandava, meu corpo respondia. Além de me possuir com movimentos vigorosos, dizia para eu ficar quietinha, sem dar um piu — ou tomaria também meu lado B. O medo despertou sensações que eu nunca havia experimentado. Foi altamente erótico.”

Vale lembrar ainda que esse tipo de brincadeira erótica está ligado à submissão. Portanto, desejar colocá-lo em prática pode ser uma maneira de escapar ou se desconectar da sua identidade real e do stress do cotidiano. Um jeito de abandonar as responsabilidades e se entregar total e absolutamente às vontades do outro, sem precisar pensar, refletir ou tomar decisões. Nada mais relaxante e redentor para mulheres que andam sobrecarregadas de obrigações e tarefas...

A quarta hipótese para explicar o desejo de ser possuída à revelia é que, lá no fundo, algumas de nós considerem o sexo algo sujo ou errado e, inconscientemente, sintam-se culpadas por ter prazer. Então, ao imaginar que estão sendo forçadas a fazer aquilo, se liberam, aproveitando muito mais o rala-e-rola. “Às vezes, representar uma personagem permite deixar de lado ressentimentos, dificuldades no relacionamento, autocensura. Facilita viver as sensações”, fala Marina.

* Os nomes foram trocados para preservar a idenditade das entrevistadas


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