Gosto de trabalhar, não conseguiria ter outra vida. Mas, em 2007, bati cartão de segunda a sexta no SBT e de quinta a domingo no teatro, ou seja, em dois dias encarava jornada dupla. Quando operei, mal cumpri o pós-operatório. Preciso de um dia só para mim, sabe? Sem precisar me maquiar, me pentear. Para poder ver um filme, fazer a mão, relaxar... Eu necessito disso até para poder aparecer bem no vídeo.
Desde que fiz a cirurgia, fui obrigada a almoçar - até então, apenas tomava café-da-manhã e jantava, às vezes às 2 da manhã. Como preciso ingerir fibras, soja e muita água, passei a levar uma lancheira com salada para a emissora e a me forçar a comer, hábito que fez bem à minha saúde e pretendo manter, mesmo depois de receber passe livre dos médicos. Também gostaria de ter um horário fixo para malhar. Explico: além de ser uma grande alegria para mim, porque mantém a forma e minha cabeça no lugar, é um jeito de controlar a ansiedade. Quando tive que suspender a esteira por 50 dias, no processo pós-operatório, quase enlouqueci. E daqui a pouco vem o Carnaval... Sou rainha de bateria. Sem fôlego, não dá para desfilar.
Escrevi um segundo livro [o primeiro foi O Caminho das Borboletas, de 1995], que está pronto desde 2006, fruto das minhas sessões de terapia com o psiquiatra Luiz Cuschnir. Eu, que sempre gostei de manter diário, peguei as fitas gravadas e transcrevi o mergulho que fizemos. Não é uma biografia, não é sobre o Silvio Santos nem a respeito dos meus homens, como já vi publicado por aí. É sobre as angústias da mulher de 30 anos sem filhos e sem um casamento tradicional. Cansei de sair com amigas e o assunto rodar, rodar até estacionar nesse.
Somos donas do próprio nariz, mas continuamos nos cobrando casamento, marido, filhos... É cruel! Passamos noites atormentadas nos perguntando se priorizar o trabalho foi a escolha correta, temos dinheiro para pagar a conta mas ainda sonhamos encontrar um cara que assuma a tarefa.Por quê? Será que tudo isso é mesmo necessário para ser feliz? Devemos sair desesperadas, querendo engravidar de qualquer um só para cumprir tal papel? Notei que essa é a agonia de toda uma geração feminina. Eu mesma já passei por relações infelizes, doentias... Ainda bem que, depois de anos de terapia, entendi que consigo ser feliz vivendo esse conflito. Parei de me entristecer, sabe? Além disso, captei o sentido daquela frase "Você primeiro tem que amar a si mesma para depois viver um relacionamento bacana". Achava vazia, mas ao terminar mais um namoro [de dois meses, com o empresário Gabriel Betti], no começo do ano, entrei em pânico. Fiquei achando que tinha o dedo podre... Até que a ficha caiu e me transformei internamente. Descobri que posso ser plena sozinha. Resultado: me sinto mais leve na relação que estou vivendo hoje, tenho menos receio de errar. Descobri que posso me tornar mãe, se quiser. Mas que não preciso. Onde está escrito que não posso me realizar sem um marido? Já diz a Bibi Ferreira: "Toda mulher tem talentos e precisa encontrar o seu. Talvez não seja viver o papel de mãe e esposa". Conheço garotas que ficam traumatizadas, com medo de tentar de novo... Gente, o sofrimento é opcional! Aproveitem a virada para mudar.
Acho que esse é o dinheiro mais bem gasto do mundo. Já acumulei bens materiais suficientes. Mas sinto sede de conhecer outros países. Eu, que costumava viajar pelo menos cinco vezes por ano, em 2007 fiquei acorrentada em São Paulo por causa do trabalho. Tenho um apartamento no Rio de Janeiro e pretendo usá-lo mais em 2008. Amo correr na orla.
Já estou na minha quarta peça, e trabalhar com essa trinca - Jô Soares, Bibi Ferreira e Juca de Oliveira - foi um presente. Prometi ao Paulo Autran que jamais deixaria os palcos. Comparo o teatro a um salto de pára-quedas. Exige disciplina. E, quando sobe o pano, não há nada para protegê-la. Se dá medo? Lógico! Mas acho que sentí-lo é sinal de responsabilidade, me alimenta.
Estou namorando há seis meses o Fábio [Faria, deputado federal do PMN-RN]. Ele é um companheiro maravilhoso, respeita meus horários e tem se esforçado muito para me ver. Como é do Rio Grande do Norte e trabalha em Brasília, colocou São Paulo na ponte aérea só para estar do meu lado. Eu procurava exatamente isto: uma relação estável, alguém que aceitasse meus defeitos e qualidades. Assim, não preciso me moldar para agradar. É isso! Um beijo,
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