A cantora mais alto-astral do país enfeitiça os homens, cativa as mulheres e bota multidões pra tirar o pé do chão. Comigo não foi diferente. Colei na estrela, que arrasou em um festival na praia, e comprovei: Ivete sangalo é mesmo um turbilhão baiano.
Subi no trio elétrico para conferir de perto o que é que essa baiana tem. Era uma noite quente de janeiro e cerca de 12 mil pessoas esperavam a chegada do furacão Ivete, que se apresentaria no Festival de Verão do Guarujá, no litoral de São Paulo.
Disposta a colar nesse fenômeno pop, chego ao local da apresentação em uma van junto com a banda e aguardo a estrela no camarim. Ela entra efusiva, cumprimentando a todos. Antes de subir no trio, reza com os músicos - e quando surge lá em cima o mundo vem abaixo! A multidão, ensandecida, grita seu nome e mal acredita que está diante dela. Durante duas horas, ela brinca com o público, dança com os músicos, faz caras e bocas. Depois, corre para trocar de roupa, atende jornalistas e... vupt, entra no carro comigo para voltar à capital. Na viagem, a voz de Ivete pedia por descanso, então marcamos nosso papo para o dia seguinte, no hotel.
Ela me recebeu de roupão branco, linda, depois de ter malhado com o personal trainer. E cercadas pelo cabeleireiro, pela fono e Dito, secretário pessoal e amigo confidente, começamos a nossa entrevista.
NOVA - Tem um ritual sagrado antes do show?
IVETE - Não saio do hotel. Faço meus exercícios de voz, me alimento, malho, vejo tevê - adoro, assisto até a canal fora do ar. Vou estocando a minha energia e, quando chega a hora, o couro come. NOVA - Por trás desse pique se esconde algum segredo?
IVETE - Não fumar, não beber e malhar já é uma receita boa. Mas não há algo que possa dizer "Isso aqui é milagroso!" O que faço de diferente é tomar suco de limão em jejum. Meu médico recomendou, porque me dá a sensação de estar saciada. Fora isso, evito leite. Cá entre nós, beber o desnatado é igual a chupar pirulito com papel: prazer zero. Ainda mais para mim, que gosto daquele leite com a gordura boiando. Outras coisas que ajudam são meu temperamento agitado e o fato de eu ser movida a reação. Se o público está no gás, eu entro na pilha.
NOVA - Quanto tempo malha para segurar o ritmo por horas?
IVETE - Nos dias de show, faço uma hora e 20 minutos. Em casa, são duas horas diárias. Tenho uma academia porreta.
NOVA - Com tanto agito, dá para manter o cabelo bonito no palco?
IVETE - E meu cabelo fica bonito durante o show, gata? No início ele está lindo, depois ocorre o momento "pixau". É quando a escova que me custou uma grana vai acabando e o suor começa a tomar conta. Até que a frente fica ensopada, mas o rabicho não. Aí, rezo para que ele não molhe ou molhe de vez.NOVA - Você vive cercada de gente. Quando consegue ficar só?
IVETE - Quando durmo. Brincadeira. Vivo na maior animação, mas, se eu deitar na cama e alguém estiver perto, essa pessoa está lascada. Digo "Fulana, pegue aquilo ali, por favor. Sicrano, ligue a tevê". Se pudesse, diria: "Ei, vá ao banheiro por mim". Mas também sou uma ótima companhia de mim mesma. Quando estou em casa, há dias em que acordo, vou para a piscina tomar sol, ligo o som e passo horas ali.>
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