Letrinhas difíceis de engolir

O rótulo dos alimentos esconde mais segredos sobre os nutrientes do que você imagina. Por exemplo, nem sempre aquele pão moreninho, com jeito caseiro, pode ser chamado de integral, sabia dessa? NOVA analisa as informações das embalagens e desvenda o significado de cada uma com olhos de raio X. É ler para comer - com a consciência tranqüila!

Texto: Karina Hollo e Angela Senra

Bater os olhos no rótulo do iogurte, da sobremesa ou do biscoito para conferir as calorias já virou hábito na vida de quem quer ter as curvas na medida. Mas a sua saúde agradeceria se você ampliasse um pouco essa leitura, checando também o nível de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras trans, fibras, sódio... Esse último, por exemplo, se em demasia, aumenta a retenção de líquidos. Para não perder tempo nem forçar a vista à toa, muito menos ficar com a impressão de que tudo aquilo é grego, pedimos a duas nutricionistas que nos ajudassem a traduzir as tais letrinhas miúdas da tabela de nutrientes.

Tintim por tintim

Para começo de conversa, saiba o que todos os alimentos que você compra no Brasil precisam mostrar, segundo a rigorosa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os valores diários de referência (VDR) dos nutrientes ou a ingestão diária recomendada (IDR) são expressos em porcentagem, com base em uma dieta de 2 mil calorias (que é a recomendada para adultos em geral por dia). Outra informação obrigatória é a quantidade de: calorias, carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas e trans, fibras e sódio. Substâncias como ferro, cálcio, ômega 3 e vitaminas só devem ser incluídas quando o produto tem quantidades significativas. Ok, mas como interpretar tantos números? Continue lendo.

Olho de lince

Se no meio dessa batelada de informações a única que atraía seu interesse era a quantidade de calorias, é hora de mudar esse hábito. Ainda que seja pouco calórico, um produto pode fazer mal à sua forma e até à sua saúde por outros motivos. Os mais suspeitos são:
• GORDURA 
Você pode consumir, por dia, 55 gramas de gorduras totais e no máximo 22 de saturada, ok? Mais do que isso, a conhecida vilã da alimentação saudável aumenta o risco de problemas do coração, hipertensão e diabetes. Ao ler num rótulo 4,3 gramas de gorduras totais, 1,6 de saturadas e zero de trans (aquela que aumenta o colesterol ruim e diminui o bom), provavelmente vai se perguntar: "E os 2,7 gramas restantes?" Não se preocupe. Segundo a nutricionista Ligia Parreira, professora das Faculdades Integradas de Santo André (Fefisa), são as do tipo bom, as insaturadas, que não precisam ser declaradas.
• SÓDIO
Ele é importante para regular a quantidade de água fora e dentro das células, além de atuar na condução dos impulsos nervosos e no controle da contração muscular. Mas precisamos de até 2 400 miligramas desse mineral por dia - e só. "Em excesso, está relacionado à hipertensão", avisa a nutricionista Cynthia Antonaccio. A atenção deve ser dobrada, pois, por evitar a deterioração, o sódio é bastante utilizado nos alimentos industrializados que compramos. "Sua eficiência é conhecida de longe, muito antes da invenção da geladeira, quando se salgava a comida para que durasse mais tempo", explica o nutrólogo Mauro Fisberg no recém-lançado livro A Dieta do Viver Bem (Abril) em parceria com a revista Saúde!. Onde aparece? Nas práticas sopas instantâneas de baixas calorias, nos pratos prontos congelados, nos enlatados e embutidos, nos sorvetes, nos biscoitos recheados.

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