NOVA Cosmopolitan NOVA COSMOPOLITAN

BUSCAR EM NOVA
NOVA Cosmopolitan NOVA Cosmopolitan

A silenciosa revolução feminina

 

Joyce Moysés
Trabalho de mais, homens passivos, diversão zero. Parece familiar? Então, você não está só. Uma grande pesquisa encomendada com exclusividade por NOVA revelou: paramos de perseguir a perfeição e estamos buscando mais prazer, mais lazer, mais equilíbrio, mais tempo para a agenda pessoal. Abaixo tantas obrigações e cobranças! Não é que a gente vá abrir mão do que conquistamos, mas queremos uma vida mais humana.

Supervisora de vendas, Ana Eliete dos Santos, de 28 anos, gosta de viajar, ir à academia, e, no terreno profissional, precisa cumprir metas atrás de metas. "A vida exige um ritmo sem pausa, mas eu adoraria desacelerar um pouco", diz. Daniela de Souza, de 23 anos, assistente administrativa, também é esforçada, mas não quer ser a Mulher Maravilha. "Meu sonho é ter estabilidade para conseguir comprar uma casa, um carro e ser reconhecida. Impossível me imaginar não produzindo", admite a moça, que transfere para o futuro a vontade de casar e ter filhos. "Antes, chamavam o curso de moda de espera-marido", emenda a estilista Carolina Zonta, de 21 anos. "Hoje, já aceitam que a profissão é séria, porém ela toma 80% do meu tempo. Sobram 20%, sendo que 15% divido entre família, amigos, namorado e 5% ficam para mim", admite. "Não dá para só trabalhar, comer e dormir", defende, por sua vez, Fabiana Dovtartas, de 24 anos, supervisora numa agência de turismo. "Até fiz curso de autoconhecimento visando uma vida melhor", fala, para resumir um sentimento comum às mulheres de 20 a 40 anos que participaram da nossa pesquisa coordenada pela socióloga e publicitária Célia Belém, que há duas décadas estuda o comportamento feminino. Prepare-se para se identificar com os sintomas de uma revolução em plena fase de gestação.

NOVA - Que revolução é essa?

Célia - Para que você tenha uma idéia de quanto ela é diferente, lembro-me de uma conversa com um diretor de RH, preocupadíssimo em descobrir como manter os talentos femininos na sua empresa. Lá pelos 30 anos, essas profissionais maravilhosas e bem treinadas decidem ter filhos e retornam da licença-maternidade com um pedido de demissão debaixo do braço. Elas preferem ir para lugares ou cargos que teoricamente acenam com maior flexibilidade e ritmo menos enlouquecedor entre as vantagens. O executivo ansiava descobrir como não perdê-las. Acabou por confessar: "Algo está mudando, mas não sei exatamente o quê".

NOVA - Por que ela é ainda tão silenciosa?

Célia - Depois de brigar tanto por espaço e reconhecimento no mercado de trabalho, como confessar que gostaríamos de ganhar bem, mas sem precisar passar mais de 12 horas no escritório porque queremos namorar, fazer as unhas e respirar outros ares? Porém, no íntimo, pulsa o desejo de que o preço de tantas conquistas não seja tão alto. O mais complicado é que esse processo ainda está um tanto enigmático para as próprias mulheres. Daí a dificuldade em deixarmos mais transparente o que almejamos, de apontarmos soluções para as críticas que fazemos. Isso envolve sonhos, necessidades que não combinam com o mundo em que vivemos: estereotipado, cheio de regras. Devido a esse dilema, arriscaria dizer que aquelas executivas pediram demissão mais por desespero do que por uma tomada de consciência. Infelizmente, é preciso haver a perda para certas chefias se darem conta de que suas funcionárias precisam de flexibilidade.

Páginas:
Rede MdeMulher
publicidade | anuncie
publicidade | anuncie