
Imagem: divulgação
Coleciono um bom número de ex-namorados. Passei pelo menos 10 dos meus 26 anos pulando de um pescoço para outro, em um status que o Facebook classificaria como “em um relacionamento sério”. Como não sabia direito o que procurava, já namorei de tudo e fiz escolhas que rendem piadinhas maldosas até hoje na minha família. Mas uma coisa é certa: todos os homens me ensinaram algo — para o bem e para o mal. Com eles, aprendi:
1. Sobre histórias em quadrinhos. E que todos os homens falam a verdade —inclusive os cafas.
A primeira vez que Otávio* colocou seus olhos verdes-azulados em cima de mim, parecia que todas as mulheres do café haviam desaparecido. Demorei uns bons três meses para descobrir que ele causava a mesma sensação em qualquer rabo de saia. Estava encantada com seu jeito impulsivo, suas declarações loucas de amor e a história em quadrinhos que tinha na parede (autoria própria, claro). Em pouco tempo, me vi mergulhada em revistas do Batman, Homem-Aranha e Super-Homem. Ele dizia que queria me mostrar tudo, dividir a vida comigo, mas que ainda não podia: precisava “arrumar a casa para eu entrar”. A frase, que tem sentido figurado, falava tudo o que eu não queria ouvir: ele estava envolvido com outra. Ou, como vim a saber depois, outraS. O fulano era do tipo que almoçava com meu pai e, em seguida, visitava uma mulher. Eu descobri e ele confessou, quase jogando na minha cara que havia me avisado. De fato, avisou mesmo. E arrisco dizer que até se regenerou. Pena que, quando o moço optou pelo papel de homem sério e fiel, já tinha deixado de ser minha Kriptonita.
2. Sobre os clássicos do cinema. E que é impossível mudar quem não quer ser mudado.
Gostei do Jorge desde o primeiro ano de faculdade, quando descobri que ele também era fã do seriado Dawson´s Creek. Ele era o típico moleque: nunca tinha namorado, frequentava os bares ao lado da facul, sentava no fundão… Apesar de termos histórias tão diferentes, Jorge se tornou a minha melhor companhia — e claro que isso teve implicações seríssimas no meu namoro da época. Assim como Joey e Dawson, ficamos anos naquela amizade colorida até assumir o relacionamento. Depois disso, nossas principais atividades eram brigar e assistir a filmes. É que Jorge era cinéfilo, enquanto eu só tinha assistido ao que passava na sessão da tarde. Ele me apresentou Fellini, Kubrick, Monty Python e os maiores motivos para me sentir insegura. Jorge gostava de mim, o problema é que sempre queria fazer algo que não envolvesse a minha presença. Eu gostava dos filmes, o problema é que sempre dormia no meio deles. E a gente nunca conseguiu mudar — ou aceitar — essas características.
3. A falar francês.
Conheci Vincent durante um intercâmbio nos Estados Unidos. Eu, brasileira e há mais de nove meses longe de casa. Ele, francês e trainee de uma grande indústria. Não me lembro como nos aproximamos, mas sei que, depois dele, todas as minhas noites de sexta-feira eram cheias de queijo e muitos “merci”, “bisous” e, no fim, “au revoir”. Talvez tenha sido o sotaque carregado que me deixou perdidamente apaixonada (gosto de pensar que não foi a careca e muito menos o cavanhaque!), mas o fato é que minhas crises inconsoláveis de choro aumentavam à medida que o fim do intercâmbio se aproximava. O coitado morria de pena de mim, mas não falava nada para me reconfortar — sabia que a única frase que colocaria um ponto final nas minhas lágrimas seria “Je t´aime”. Bom, como ela não veio, voltei a São Paulo aos prantos. Por via das dúvidas, me matriculei em um curso de francês. Nunca mais soube do Vincent, mas posso dizer que ele melhorou meu currículo.
E você? Quais lições aprendeu com seus ex-namorados?
*Os nomes foram trocados para proteger a identidade dos moços.