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Um balanço do tratamento contra o câncer

postado por | 31 de janeiro de 2012 às 15:30
Câncer de mama

Foto: iStockphoto

Em primeiro lugar, não posso me esquecer de que comecei este blog namorando, mas logo no início ele não aguentou a barra e foi embora. Quer saber? Foi muito melhor assim! Talvez tudo o que aconteceu não tivesse sido tão legal se eu não estivesse solteira. A gente acha que não vai encontrar alguém que vá gostar tanto… Agora, já tenho outra pessoa em vista! (Não, ele ainda não sabe! rs)

Mas o que eu quero mesmo compartilhar com vocês é que este mês está completando um ano e quatro meses que recebi o diagnóstico de câncer de mama. Uau! Passou bem rápido! E graças a Deus, a tudo e a todos, tudo deu certo! Como sempre faço e sempre acho que não é o suficiente, tenho muito a agradecer a todos que sempre me acompanharam, me enviando energias positivas — silenciosamente ou não… Nesse tempo, percebi como é importante a ajuda dos outros! Que os que ficaram, foram os amigos de verdade!!! Não deixei de me divertir nos momentos em que conseguia. Acho que fiz até mais do que geralmente faço. Andei de banana, saltei de paraquedas, fui para Salvador passar o Carnaval de navio e tive um dos melhores aniversários da minha vida!

Digo sempre que a expectativa do antes foi a pior parte. Não saber o que ia acontecer, o que vinha pela frente… Nossa que agonia!

Descobri nessa doença que a feminilidade é atacada de frente! Lembro-me de muitas pessoas dizendo que a aparência não importava e sim que eu estava melhorando, saudável… Não é bem assim! A aparência conta, sim — e muito! Hoje, vendo tudo o que a medicina faz, tentando também preservar a estética, vejo o quanto é importante! E ainda bem que os tratamentos e os medicamentos estão evoluindo bastante! Por enquanto, preciso continuar tomando uma medicação por 5 anos e, talvez, ainda tenha de suspender a menstruação. Isso porque meu câncer era progesterona e estrogênio positivo.

Enfim, espero que com este blog eu tenha ajudado alguém. Se fosse para passar uma mensagem, seria a de que seu corpo pode ficar doente — sua cabeça não! NUNCA! Para mim, tudo deu certo. Pode ser sorte, mas até os médicos sempre me falaram que o otimismo e a força ajudam muito, até para melhorar os efeitos colaterais do tratamento.

Nos próximos posts, talvez eu não tenha tanta coisa para falar sobre o meu tratamento, então, tive uma ideia: vou começar a contar histórias de outras mulheres que conheci durante este período. Em cada post, eu falarei sobre alguém. Até lá!

De volta ao trabalho

postado por | 24 de janeiro de 2012 às 15:30
Trabalho como comissária de bordo

Que ansiedade!!! (Foto: iStockphoto)

Depois de tanto contar do meu tratamento, hoje vou falar como anda a minha vida no campo profissional. Eu já retornei para a empresa aérea em que trabalho, mas existe uma grande burocracia de papeladas, renovação de licenças e treinamentos antes que eu volte a pisar em um avião trabalhando. Que ansiedade!!!

Vou encontrar muita gente que não vejo há quase um ano e meio, outras que não vejo desde o diagnóstico, além de amigos de outros lugares do mundo que sempre estiveram de longe torcendo por mim! E acho que vai ser um choque!!! Afinal, estas pessoas não estão acostumadas a me ver assim: carequinha e com uns quilinhoos a mais… Ao contrário de quem eu conheci durante o tratamento (nos eventos), que até achava que meu cabelo era assim por escolha, por estilo. Aliás, nesta semana andei pelos corredores da empresa e muita gente não me reconheceu!

Com todas essas mudanças, pensar que me acostumei a uma rotina e estou voltando para antiga me assusta um pouco, às vezes… Será que vou me reacostumar? Todo mundo que se encontra comigo diz que eu mudei, que estou diferente… E ninguém consegue explicar o que é. Acho que eu mudei internamente também. SIM, sou outra pessoa! E talvez esteja aí o medo de voltar para a antiga rotina…

Bem, mas agora quero visitar lugares que eu amo e que estou sentindo muita falta! Mas a grande pergunta é: para onde será meu primeiro voo? Na primeira semana de fevereiro ficarei sabendo e, então, conto para vocês — prometo colocar uma foto lá de dentro do avião!

Sempre obrigada e, em breve, poderei contar de que lugar do mundo estou escrevendo…

Resoluções de Ano Novo

postado por | 17 de janeiro de 2012 às 19:39
Um brinde a 2012!

Um brinde a 2012!

Já faz um tempo que não escrevo por aqui… Final de ano foi uma verdadeira loucura para mim. Foi tudo ao mesmo tempo: vendi meu computador, fiquei com um emprestado e não conseguia escrever nele; acabei programando uma viagem de férias — e tive de fazer alguns eventos para pagar a viagem!; além de ter que deixar todos os exames prontos para quando eu voltasse e, depois, ir direto ao médico para receber a alta.

Isso mesmo: finalmente a ALTA!!! Fiz muitos exames para confirmar que estava mesmo tudo certo. Enquanto abria os envelopes (não consegui esperar até a consulta para ver o resultado), senti aqueeele frio na barriga! Mas, sim, está tudo bem!!! A partir de agora, a cada 6 meses terei de repetir todos os exames — o chamado “controle”!

Outra novidade é que o meu cabelo está crescendo — e forte como nunca! Aliás, todos os pelos do corpo voltaram a crescer com força total! Parece até que tenho o dobro de cabelo que tinha antes! Mas é desesperador não ter o que fazer com os fios que, agora, têm vida própria! Socorro!!!

Já os quilos a mais ainda estão aqui me incomodando bastante, mas tomei uma providencia radical: eu e algumas amigas vamos participar de várias corridas neste ano. E estamos treinando muito! Esta foi minha promessa de Ano Novo: correr em pelo menos duas meia-maratonas!

Torçam para que eu consiga cumprir esta meta! E até o próximo post…

Com boas notícias: meu aniversário, radioterapia e o novo corte de cabelo

postado por | 2 de setembro de 2011 às 22:43

No meu aniversário!

Agora, recuperada da cirurgia, seios desinchados e cicatrização ótima, a vida começa a voltar ao normal. Mesmo com a retirada de parte (7cm x 7cm x 3cm) da mama esquerda, não houve deformação. Se eu olhar com muita, mas muita atenção no espelho, até consigo ver que a esquerda está 1 cm mais alta que a direita. Mas nada que esteja me incomodando.

Também estou totalmente liberada para retomar atividades físicas. Aliás, a retomada de exercícios deixou de ser estética. Meu tumor era progesterona e estrogênio positivo e, como engordei aproximadamente uns 15 kg durante a quimioterapia, a circulação desses hormônios no organismo fica prejudicada. E os exercícios ajudam a estabilizar esses hormônios. Portanto, a ordem é emagrecer já!!! Confesso que dieta nunca foi o meu forte, então estou com acompanhamento médico para emagrecer mais rápido.

Além disso, estou tomando uma medicação que “substitui” o estrogênio no organismo e que precisarei tomar por 5 anos: o Tamoxifeno. Dizem que seu efeito colateral é a ausência da menstruação, uma menopausa disfarçada. Já durante o tratamento, eu suspendi a menstruação para tentar salvar meus óvulos, já que quimioterapia pode entender que no ovário está acontecendo algum tipo de multiplicação de células e agir ali, deixando a mulher estéril (a quimioterapia age em células que estão se multiplicando, por isso há queda de cabelo, escurecimento das unhas…). Mas, para minha surpresa, voltei a menstruar. Ainda não retornei ao médico – com a bateria de exames que ele solicitou – para falar sobre isso, mas acho que é um bom sinal.

Todos os amigos usando lenço

Lucia, eu, Lilian e Viviane

E no dia 6 de julho foi meu aniversário. Não pretendia fazer nada, mas com tudo dando tão certo, na verdade, eu tinha dois motivos para comemorar. Então, resolvi fazer uma festa. Mas aí encontrei um problema: não estava mais usando a prótese capilar e teria que ir à festa e encontrar muitos amigos usando lenço. Estava sendo um incômodo, até receber uma mensagem de uma amiga que também está careca: “Você vai de lenço? Se você for, eu também vou… Na hora surgiu a ideia: TODOS vão de lenço!!! Era o traje pedido no convite. Não tenho palavras para traduzir a emoção da festa!!! Foi incrível! Mais ou menos 70 pessoas com algo na cabeça. Podia ser lenço, boné, toca… Algo para ser solidário comigo!!! Foi sensacional! Eu até levei lenços extras se alguém quisesse – e muitas pessoas que estavam na balada começaram a perguntar o porquê daquilo. Quando as pessoas contavam, queriam me conhecer e pediam um lenço também. Bom, até no palco para cantar eu fui colocada (embora não saiba cantar). Mas foi um dia inesquecível!

Depois deste dia, as baladas voltaram a fazer parte da minha vida. Voltei a sair com as amigas – elas, claro, todas de lenço! Assim, eu não estava chamando a atenção sozinha. Na verdade, elas me ajudaram muito a voltar a sair e a me ver bonita de novo! E com a cabeça já toda preenchida, veio a hora de tirar o lenço! Ai que frio na barriga!!! Acho que nem quando eu era criança me lembro de ter tido cabelo curto… Mas a reação das pessoas foi surpreendente! Muitos elogios e só tenho a agradecer por ter a cabeça bonitinha!!! Ah, e eu voltei a ser paquerada também!!! Aceitei convites e a vida afetiva começa a voltar ao normal. No começo, foi difícil aceitar que um cara estava me olhando mesmo com o cabelo bem curtinho. Mas sim, existem homens que gostam de mulheres com cabelo curto!

Paty com as amigas na balada

Camila, Cristiana, Viviane, eu, Cristiane e Roberta na minha primeira balda sem lenço!

E ainda veio a fase final do tratamento: radioterapia. Estava um pouco apreensiva no começo, porque a radio poderia estragar as novas próteses de silicone. Mas por enquanto continuam aqui lindas! Com o tratamento, a pele e os mamilos ficam um pouco mais escuros e sensíveis, mas tudo totalmente suportável. A sessão de radioterapia dura dois minutos. Tudo muito rápido e simples: uma máquina mais ou menos como uma de tomografia emite radiação para eliminar qualquer célula cancerígena que ainda ficou. E é necessário ficar com umas marcas de canetinha pelo corpo durante o tratamento, então, decote por enquanto não dá, aparece! A parte ruim é que isso é diário. Então, com o trânsito em São Paulo, perco muito tempo do dia para fazer. Mas não vou reclamar! São 30 sessões, durante 6 semanas. Mas, fazendo as contas aqui… já passei da metade!

Paty com o cabelo curto

O corte que vou manter até novembro

Ah! O primeiro corte de cabelo também já aconteceu! No grupo de teatro que estou (ficaremos em cartaz entre outubro e novembro), o diretor da peça me perguntou se eu ficaria com o cabelo bem curtinho até o final da temporada. Aceitei! Então, até novembro passarei máquina 4 para manter o visual!

Ainda não posso voltar ao meu real trabalho como comissária de voo. Confesso que os passeios e as compras pelo mundo a fora estão fazendo bastante falta. Mas acho que até o final do ano volto a andar pelos ares em vez de só ficar em terra firme. Uma frase que adoro: “andar se torna muito chato quando se aprende a voar!”. Então, voltei a fazer trabalhos como freela com produção de eventos. Tenho de voltar a trabalhar e manter em mente que minha vida e saúde são mais importantes. Mas como é difícil! Que mania chata a nossa de colocar o trabalho à frente de tudo! Mas vou continuar tentando…

Para completar, recentemente eu e meus amigos estávamos falando de carência. Às vezes, mesmo cercados de tanta gente e tanta coisa, não estamos satisfeitos ou felizes… Então, pesquisando na internet (claro, sempre… rsrs) li um artigo superinteressante e fiz um resumo do que dizia:

“A carência é a convicção interna de que ninguém é capaz de preencher nossa fenda afetiva. Carência deixou de ser sinônimo de solidão, mas se assemelha mais à tristeza, que é uma emoção perante um determinado esforço pessoal que não produziu o resultado almejado. A carência é prova de que nunca teremos controle sobre nossas reais necessidades pessoais. A pessoa carente tem a percepção de que realmente ninguém se importa com seus sentimentos e tal ideia se transforma em um conflito torturante.”

E termino este post com uma pergunta: será que nunca estaremos satisfeitos? Será que seremos carentes para sempre?

Sempre obrigada a todos!!!

O dia da cirurgia e muitas outras novidades…

postado por | 8 de julho de 2011 às 17:47

Peço desculpas pela demora em escrever, mas aconteceu muita coisa neste último mês! No dia 1º de junho foi aniversário da minha mãe e jantamos na casa dos meus pais. Depois, meu irmão saiu para me levar até em casa e, de lá, seguiria para a casa dele. Cerca de uma hora depois, meus pais me ligaram dizendo que haviam recebido uma ligação do Hospital Santa Paula: meu irmão bateu o carro e o resgate o levou para lá. Nossa, foi uma das piores sensações que já senti! Foi muito ruim não saber exatamente o que tinha acontecido, se ele estava realmente bem… Na verdade, ele machucou os dois ombros (que precisaram de cirurgia), bateu a cabeça e ficou muito confuso durante vários dias.

Eu, com amigos do grupo de tetaro, dias antes da cirurgia

Eu, com amigos, dias antes da cirurgia (Foto: arquivo pessoal)

Enquanto meu irmão se recuperava na casa os meus pais, eu continuei na correria para achar um médico para a minha cirurgia. No dia 15, fui a uma consulta com um médico que já tinha visitado antes. E, então, resolvi operar com ele. Mas ele me informou que iria viajar e, se eu quisesse mesmo fazer a cirurgia com ele, teria de ser no dia 18. Levei um susto! Esperava que fosse rápido, mas não tanto. Aí começou uma nova correria: desta vez, com o convênio médico.

O convênio precisaria de cinco dias úteis para aprovar a cirurgia. Era quarta-feira à tarde e a operação seria no sábado de manhã. Nesses dois dias, eu já teria que fazer alguns procedimentos pré-operatórios, mesmo não tendo certeza se o convênio liberaria a cirurgia a tempo. Foram dois dias bem estressantes! Passei esse período no telefone com o convênio, tentando uma solução, e dois dias no laboratório, para fazer o estudo do linfonodo sentinela. E um dia antes da cirurgia aplicaram um líquido radioativo no tumor para descobrir qual o linfonodo da axila que o alimentava.

Logo no começo, quando recebi o diagnóstico de câncer de mama, eu fui a um encontro de um grupo de mulheres que têm ou já tiveram câncer. Não consegui frenquentar por muito tempo, mas uma delas sempre me enviava mensagens e até chegou a deixar alguns comentários aqui no blog. Dois dias antes da minha cirurgia, recebi a notícia de que ela tinha falecido. Nossa, que sensação estranha… Alguém que tem a mesma coisa que você morreu! Não consigo nem explicar o que senti. Ela era três anos mais nova que eu e ainda deixou um filho pequeno. Foi um choque!

Bom, finalmente chegou o dia da cirurgia! Eu estava tranquila e fui para o hospital cedinho com meus pais! No procedimento, o médico retirou apenas o quadrante comprometido. Em pele e mamilos não foi necessário mexer. Da axila, ele retirou só dois linfonodos. Também não precisou fazer um esvaziamento axilar (isso acontece quando encontram células cancerígenas no linfonodo sentinela) – o que foi muito bom! Isso porque quando é necessário o esvaziamento axilar, há o risco de se perder movimentos do braço. Assim, um pequeno machucado e até mesmo fazer as unhas se tornam coisas complicadas. Neste mesmo dia, minhas próteses de silicone foram trocadas e colocadas atrás do músculo peitoral, para facilitar diagnósticos futuros. Por causa desta posição, agora elas são um pouco maiores: eu tinha 195 ml em cada mama e passaram a ser de 300 ml cada uma (mesmo ainda estando bem inchadas, elas já estão lindas!!!)

Por ter colocado as próteses atrás do músculo, minha recuperação está sendo bem dolorida! Nos quatro primeiros dias fiquei com um dreno. Já faz mais de uma semana e esta foi a primeira noite em que dormi (bem mal) deitada. Nas outras noites dormi praticamente sentada. E descobri que o músculo peitoral é usado para tudo!!! Até para digitar! Mas fiquei muito feliz e agradecida pelo fato de a minha cirurgia ter sido mais simples do que se esperava! Agora, só falta a radioterapia…

Ah, meus cílios e sobrancelhas voltaram! E logo vou precisar marcar minha primeira depilação!!! Também dei um tempo na prótese capilar e resolvi assumir a careca. Foi estranho, mas por outro lado senti um alívio, embora ainda não fique 100% segura. Agora, minha cabeça já está pretinha! E em breve não vou precisar mais usar lenço.

Por falar em lenço, meu grupo de teatro (minha terapia, não pretendo ser atriz) – que vai estrear em outubro o musical Noturno, do Oswaldo Montenegro, como resultado do curso – resolveu me fazer uma homenagem. Eles tiraram uma foto de todos usando um lenço preto igual ao que estou usando e me mandaram. Junto com a foto, recebi um buquê enorme de flores – lindíssimas! Foi demais! Emocionante! Fiquei sem palavras para agradecer! São atitudes, momentos e iniciativas assim que fazem a vida valer a pena mesmo nos momentos difíceis. Obrigada mais uma vez!!!

A incrível homenagem que recebi do grupo de teatro

A incrível homenagem que recebi do grupo de teatro

Com essa homenagem, acabei me lembrando de outra que fizeram para um garoto que também estava com câncer. Aqui, o link para quem quiser se emocionar!

Fico pensando em todo mundo que reza por mim, que me envia energias positivas, que deixa mensagens de apoio, que faz algum tipo de homenagem, que me visita, que me telefona ou até mesmo que não me conhece, mas que pelo blog me envia e-mails de exemplo e solidariedade… E agradeço muito a Deus por ainda existirem pessoas boas no mundo, que querem o bem de outras! Meu muitíssimo obrigada! E você? Já fez alguma coisa boa para alguém hoje?

E acabou a quimioterapia

postado por | 24 de maio de 2011 às 20:44
Prontuário médico das sessões de quimioterapia

Foto: arquivo pessoal

Finalmente fiz a última sessão de quimioterapia. Uau!!! Inacreditável! Confesso que passou bem rápido! Mas como estou sob os efeitos colaterais, ainda não consigo comemorar 100%. Na verdade, estou na fase “o que este tratamento está fazendo comigo?”. Estou no sofá com uma perspectiva bem diferente das pessoas que me ligam ou enviam mensagem comemorando. Mas na Internet fiz uma brincadeira com meus amigos e perguntei o que deveria fazer agora que completei a cartela: posso gritar bingo?

Hoje, ao me olhar no espelho, vejo o quão devastadora é essa medicação. Depois de 8 sessões (feitas a cada 21 dias) e fazendo um balanço do tratamento, noto quantos efeitos colaterais! Foram quatro sessões com enjoos e vômitos e, depois, mais quatro com dores pelo corpo. Destruiu minha imunidade. Estou aqui com uma crise de rinite e sinusite (agravada pela falta de pelos no nariz e a queda de glóbulos brancos para combater infecções) que me fez ir parar no hospital. E tem mais dois agravantes: meu prédio e meu apartamento estão em reforma; e como o tempo esfriou, as pessoas estão tirando do armário roupas guardadas há muito tempo. Muitos ácaros no ar! Eu vou ter de lavar praticamente tudo que está no meu guarda-roupa.

Com o tratamento, até subir uma escada se torna uma tarefa difícil. Perco o fôlego rapidamente. Academia, então, chega a ser um vexame!Não consigo fazer uma sequência de abdominais sem molhar a camiseta. E também não posso me esquecer de outros efeitos colaterais, como a queda de cabelo, cílios, sobrancelhas e todos os outros pelos do corpo. Além disso, meu paladar mudou muito desde a primeira sessão. Minha língua alterou bastante e está com vários cortes. Bom, ao menos daqui um mês o crescimento de pelos e cabelos volta ao normal!

E o dilema sobre a cirurgia continua. Tive uma consulta com o meu mastologista e ele apresentou argumentos que não concordei. Ele não quis nem me escutar sobre a retirada das duas mamas (inclusive a saudável). Então resolvi procurar outras opiniões. Essa busca pelo “médico perfeito” é desanimadora. Fora o tempo, trânsito, dinheiro, ter de explicar tudo para cada um novamente… Aliás, estou muito irritada, sensível e sem paciência. Acredito que seja por essa indefinição da cirurgia. E agora não estou mais fazendo trabalhos como “freela” e até parei de sair… Tudo para ficar com o tempo focado nesse assunto.

Percebi também a diferença com que alguns médicos tratam pacientes que são de convênio médico. Entendo a disparidade da quantia que eles recebem pela consulta particular, mas estou um pouco revoltada com o sistema.  Eu, por exemplo, tenho gastado muito dinheiro com consultas. Tudo para saber qual é a melhor opção. E, talvez, ao escolher essa “melhor opção”, tenha que gastar uma verdadeira fortuna (os melhores médicos não aceitam fazer a cirurgia pelo convênio). E, claro, mesmo os melhores e mais caros médicos pensam de maneira divergente um dos outros. Então, assim como no começo, eu vou ter de tomar a minha decisão: tenho 15 dias para isso.

Autoestima de pacientes com câncer

Foto: reprodução O Estado de S.Paulo

Também gostaria de compartilhar com vocês uma reportagem muito interessante, do jornal O Estado de S. Paulo, sobre como a autoestima influencia no tratamento do câncer. E os cuidados estéticos reduzem a depressão e melhoram a resposta do paciente à terapia. Eu fui uma das fontes e aqui vai o link para quem se interessar: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110417/not_imp707374,0.php

Tenho mais uma novidade: um amigo que trabalha com fotografia me propôs fazer umas fotos. A princípio, não gostei da ideia, pois ele queria que estas fotos fossem sensuais. Depois, ele sugeriu que fizéssemos fotos sensuais com mulheres que estão passando pelo câncer para, então, montar um calendário e reverter a renda para alguma instituição. Tudo isso para mostrar que ainda continuamos femininas e temos esse lado da vaidade mesmo sem cabelo etc. Agora, estamos tentando viabilizar esse projeto. Então, se você conhece alguém ou se interessou, mande um email para paty.s.paty@gmail.com para conseguirmos pelo menos 12 mulheres (lembrando que todas devem ser pacientes de câncer).

Mais uma vez obrigada pela ajuda e força!

Bom humor na luta contra o câncer

postado por | 15 de abril de 2011 às 21:04

Gostaria mais uma vez de agradecer a todos que passam por aqui, deixam comentários, mandam e-mails… É incrível quando alguém escreve e diz que eu pude ajudar em algo. As mensagens me incentivando e me dando força sempre emocionam. Leio tudo mais de uma vez!

No show do U2

No show do U2

Tirei este último mês para descansar a cabeça.  Demorei para responder os e-mails, recados e telefonemas… Sai muito, bebi muito e curti muito. Aí veio o show do U2. Vi o Bono e The Edge bem de perto. Estava na parte interna do palco, no inner circle e foi incrível!!! Mas fiquei doente no dia seguinte. Não sei se foi a chuva que tomamos ou se foi a sequência de baladas. Mas dessa vez uma virose me levou para o pronto-socorro. E então me dei conta de que preciso dar um tempo. Tenho de me lembrar que para mim uma simples dor de garganta é bem mais complicado. Só para recordar, na última amigdalite fiquei quatro dias internada.

Confesso que está ficando mais difícil sair. As sessões de quimioterapia estão bem tranquilas, mas alguns sintomas que eu achava que acabariam, pioraram. O cabelo está caindo bem mais e agora cílios e sobrancelha também. E cada vez tenho mais coisas para pensar quando vou me arrumar. Agora preciso colocar cílios, fazer a sobrancelha, arrumar o cabelo, pensar no que vestir… Afe, é muita coisa! Com isso, estou voltando para o sofá! Com essa preguiça toda já até pensei em assumir a careca, mas aí faltou coragem.

Várias vezes em hospitais, consultórios, laboratórios alguém me fala que estou enfrentando a doença de uma maneira muito positiva. Nas minhas sessões de quimioterapia, sempre escuto da enfermeira responsável que os pacientes, quando reagem bem, parece que se curam mais rapidamente e sofrem menos. Ela sempre me diz que quem chega lá revoltado com a doença fica pior. A medicação aparentemente acarreta muito mais efeitos colaterais e a pessoa demora muito mais para se curar. Para mim, isso tudo se confirmou com a história do nosso ex-vice-presidente José Alencar. Uma demonstração de força e bom humor na batalha contra o câncer. Enfrentou a doença durante 13 anos e não se deixou abater. Mesmo internado e nos momentos críticos, estava lá firme e forte. Registro aqui minha admiração!

Nas próximas semanas, tenho umas das mais importantes decisões para tomar até agora. Andei conversando com algumas pessoas, pesquisando e descobri que muitas mulheres optam por retirar as mamas completamente. Na cirurgia que farei em junho, os médicos já  retirariam as duas mamas (inclusive a direita, que não possui nenhum sinal de nódulos) e nesta mesma cirurgia já fariam a reconstrução com silicone. Ainda não conversei com meu médico a respeito. Mas estou pesquisando sobre isso e, se for a melhor opção, estaria disposta até a trocar de médico. No entanto, o que encontrei até o momento contra esse procedimento é o fato de que não poderia amamentar caso tenha um filho.

Então, agora preciso da sua ajuda! Se você já passou por isso ou conhece alguém, por favor, me envie um e-mail ou deixe aqui seu comentário. Preciso unir tudo o que puder sobre o assunto para tomar esta decisão. Mais uma vez, obrigada!

Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?

postado por | 10 de março de 2011 às 20:52

Ultimamente, tenho lido muita coisa sobre câncer de mama e muitos pesquisadores falam sobre o estilo de vida que as pessoas estão levando. Eles são unânimes em dizer que a genética não é totalmente a única responsável. Eu sou uma prova disso!Nenhum caso na família. Em compensação, eu me encaixo 100% no estilo de vida que eles descrevem como fator que contribui para o surgimento do câncer.

Livro Anticâncer, do médico David Servan-Schreiber

Foto: Divulgação

Em um dos livros – Anticâncer, do médico David Servan-Schreiber (um dos melhores que já li até agora) – o autor fala de uma pesquisa em que o câncer é considerado uma doença da mulher atual, que não tem uma alimentação saudável, que toma anticoncepcional e adia a maternidade. Da mulher que trabalha, vive sob pressão e está sempre estressada. Da mulher que não dorme o suficiente e é sedentária. Resumindo: da mulher independente!

Recentemente, também, eu e alguns amigos vimos Cisne Negro. Achei in-crí-vel! Comentando depois sobre o filme, falamos sobre esse ritmo frenético em que estamos vivendo. E a grande pergunta: será que compensa viver assim? Deixamos de viver para trabalhar e ganhar dinheiro e esquecemos de nós mesmos? Da nossa saúde? Depois, este dinheiro todo será para os remédios quando ficarmos doentes?

Na verdade, estamos deixando passar vários detalhes da vida. Deixando de vivê-la. Não temos tempo para nada. Estamos sempre correndo e estressados. Perdemos horas nos congestionamentos, nos aeroportos… Quem nunca deixou de almoçar porque teria algo relacionado ao trabalho para fazer?

Não estou aqui defendendo que não devemos mais trabalhar. Estou defendendo que o trabalho não pode ser a sua vida. Eu mesma coloquei meu trabalho à frente da minha saúde. Demorei mais ou menos 6 meses para ir ao médico ver um nódulo no seio que estava me incomodando… Tudo isso porque estava trabalhando muito e achava que não seria nada.

Acredito também que se você não pode mudar a forma como está lidando com o trabalho, deve, ao menos, arrumar um tempo para descansar ou fazer algo que gosta. Sei que é difícil! Eu mesma não estou conseguindo, mas é preciso.

Saltar de paraquedas: a coisa mais emocionante que já fiz na vida

Saltar de paraquedas: a coisa mais emocionante que já fiz na vida (Foto: arquivo pessoal)

Por isso comecei a fazer muitas coisas que sempre tive vontade e nunca encontrava tempo ou disposição. Saltei de paraquedas, que foi a emoção mais forte que já senti até hoje; passei o Carnaval em Salvador – que jamais imaginei. E o melhor: eu e meus amigos decidimos ir de navio, não de avião, para mais uma vez fazer algo que nunca tinha feito. Enfim, viver!!! E você? Vem comigo?

A vida feita de altos e baixos

postado por | 7 de fevereiro de 2011 às 21:42

Passei o final de semana do aniversário da cidade de São Paulo em Florianópolis, com os amigos. Muita festa, restaurantes, bebidas… Tudo parecia estar OK. No domingo, fomos a um restaurante e, na madrugada, algumas pessoas passaram mal. Mas até então eu estava bem.

Voltei para São Paulo na segunda-feira e, à noite, tive muita febre. Então, corri para o hospital, porque eu já sabia que pessoas em quimioterapia não podem continuar o tratamento quando estão com algum tipo de infecção – e minha sessão era na mesma semana. O diagnóstico foi de infecção de amídalas. Fui medicada com antibiótico e fui para casa.

No dia seguinte, comecei a ter vômitos, diarreia e continuei com febre. Péssimo sinal! Retornei para o pronto-socorro e, desta vez, me deram antibiótico injetável. Depois, voltei para casa novamente.

Apoio do hospital nos dias de internação

Na sexta-feira, dia da quarta sessão de quimioterapia, os sintomas voltaram – e mais fortes! Então tive de ser internada. A febre não diminuía e os exames de sangue ainda acusavam infecção, embora a garganta não estivesse mais infeccionada. Resumindo: eu saí do hospital, melhorei e não sabem exatamente o que eu tive.

Agora, meu sistema imunológico está tão debilitado que o que seria apenas um desconforto para pessoas com a imunidade normal, para mim resultou em quatro dias de internação, com três tipos de antibióticos diferentes.

Amanhã, vou fazer a quarta sessão de quimioterapia. É um pouco angustiante saber que mal me recuperei e já vou ficar mais uma vez passando mal. Ainda mais num momento em que o organismo está debilitado mesmo antes da quimio. O que me alivia é pensar que esta é última sessão com a medicação que provoca os enjoos e a queda do cabelo.

As coisas precisam e vão melhorar! Obrigada sempre pela força de todos!!!

Ano Novo, vida nova!

postado por | 18 de janeiro de 2011 às 17:13

Comecei 2011 com o pé direito! Apesar de muitos não acreditarem que tudo possa se renovar de um dia para o outro, apenas por ter mudado do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro, eu acho que o Réveillon é uma oportunidade de repensar nossos planos, de zerar alguns contadores e de “recomeçar tudo de novo novamente”. Coincidência ou não, neste início de ano as coisas estão bem melhores! Estou cheia de expectativas, mas tenho consciência de que tudo pode sair de uma forma diferente do planejado e mesmo assim dar certo!

Com uma amiga na virada do ano

A última sessão de quimioterapia, que aconteceu no dia 7 de janeiro, já foi muito mais tranquila. E como a primeira prótese capilar não deu certo, eu tive de comprar uma nova – o que não foi nada barato! Mas já estou me sentindo bem mais segura para sair. No final do ano, cheguei até a ir à praia, entrei no mar e na piscina com a prótese e não tive problemas. Claro que fico preocupada, arrumando toda hora, mas com esta me adaptei bem. A prótese capilar é feita de uma tela de silicone muita fina e transparente, que é colada no couro cabeludo com uma fita dupla face superforte e deve ser trocada a cada 15 dias. Até agora não caiu! rs

Outra novidade é que mesmo sendo comissária de voo, certo tempo atrás eu fiz alguns trabalhos como freelancer na empresa de duas amigas, com produção de eventos.  Agora, elas me chamaram para fazer algo mais fixo até eu voltar para o voo. Estou tão ansiosa! Isso porque eu nunca me envolvi com outra coisa que não fosse a aviação. Pela primeira vez, vou trabalhar em horário comercial. Vai ser estranho para quem geralmente trabalha de madrugada…

Além disso, mudei várias coisas na minha rotina. Comprei uma bicicleta, voltei para a academia, retornei para a “Oficina dos Menestréis” – uma companhia livre de teatro que no fim deste ano vai apresentar um musical do Oswaldo Montenegro – e vou começar a fazer trabalho voluntário com crianças com câncer. Se depender de ocupar a cabeça para eu me sentir melhor, tarefas não vão faltar!

Minha vida está mesmo agitada! Neste ano novo já teve viagem para o litoral norte de São Paulo, show da Amy Winehouse, muitos amigos têm me visitado e, no próximo feriado, vou viajar para Florianópolis. Estou mesmo muito feliz!!

Com os amigos no show da Amy Winehouse

Já ia me esquecendo de contar uma cantada que recebi. Claro que nem sempre é verdade e sabemos perfeitamente que quando um homem quer conquistar uma mulher, ele vai tentar de tudo e falar o que queremos ouvir, mas desta vez achei muito original. Eu estava em um bar (ainda tentando usar a outra prótese, que realmente parecia uma peruca) e um cara me perguntou: “Você está de peruca?” Eu respondi que sim e ele questionou por quê. Para não ter de explicar tudo, me restringi a dizer que tinha raspado a cabeça. Então ele disse: “Não se preocupe, você é uma Carolina Dieckmann, mesmo de cabeça raspada continua linda!” rs Acabou não rolando nada, mas minha autoestima está lá em cima!!

FELIZ ANO NOVO!!

Paty Souza

Sou a Paty. Tenho 34 anos e há15 trabalho como comissária de voo. Sou muito curiosa e extremamente ansiosa. Gosto muito de curtir a vida, viajar, sair e pesquisar no “Google” tudo que não sei… rsrs. Estou passando por um momento de muita expectativa. Fiz este blog para compartilhar esses momentos, colaborar com quem precisa e contar com a ajuda de todos.

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