
Foto: André Schiliró
Espero que encontrem quem roubou os arquivos pessoais da Carolina Dieckmann, tentou extorqui-la e jogou as imagens da atriz nua na rede. É um criminoso. O advogado dela está agindo bem, pressionando sites hospedeiros e páginas de busca para não divulgarem o conteúdo. Uma pena a maioria das mulheres expostas na internet por ex-namorados frustrados ou simples bandidos não terem o poder de fogo da atriz para ir atrás dos responsáveis. Dito isso, a Carol que me desculpe, mas não resisti a uma espiada nas fotos, claro.
O corpo feminino fascina os homens. Mas acho que a minha geração foi uma das últimas a venerá-lo de verdade. Tem a ver com a facilidade com que desnudamos essas deusas na nossa imaginação. Hoje, qualquer garoto tem acesso a todo tipo de pornografia com uma simples pesquisa no Google. Uma mulher nua é apenas “mais uma mulher nua”. Nos meus tempos de moleque, porém, a gente precisava suar bastante para brindar o nosso olhar. Por isso, continuo reparando em cada detalhe do corpo da mulher com quem estou, como se fosse um pintor renascentista. Nunca me canso de admirar.
Pré-adolescente, eu já ficava doido com as modelos de lingerie em panfletos de loja de roupa. Ou com as beldades que sensualizavam nas páginas das revistas femininas que minha mãe lia. Lembro quando consegui minha primeira Playboy: Cláudia Raia, em janeiro de 1986. Eu tinha 11 anos e afanei o exemplar do meu pai. Ficou escondido sob o meu colchão por anos. A ela, juntaram-se a Nani Venâncio, a Luciana Vendramini, a Sonia Lima, a Andréia Veiga e outras capas clássicas.
Acho que uma das primeiras vezes em que vi pêlos pubianos foi ao assistir a “A Dama de Vermelho” (1984). Quase no fim, de supetão, a maravilhosa Kelly LeBrock pula da cama nua e, por menos de um segundo, antes que se escondesse atrás do lençol… voilá! E eu já não conseguia pensar em outra coisa. Dei um jeito de gravar, em vídeo, repetindo a cena em slow-motion diversas vezes. Recentemente, revi a parte final do filme, em uma reprise insone. Mas aqueles preciosos instantes não estavam mais lá. Alguma hora, a Globo os cortou para adaptar à Sessão da Tarde e nunca mais eles voltaram para a fita.
Um dia, descobri uma vizinha que costumava desfilar pelada pelo apartamento. Por algum tempo, fui o garoto do binóculo. Perdi uma vida inteira aguardando na janela aquela moça passar, rapidamente, desprevenida. E morria de medo do marido grandalhão dela me flagrar. Os momentos de alegria que esta tocaia pouco prática me rendeu não devem somar nem meia hora. Mas foram ampliados na minha memória. Hoje, o monitor do computador é uma janela muito mais acessível e segura. A internet facilitou a puberdade de muito moleque. E, talvez, esteja criando olhares mais preguiçosos também.
Tem gente falando que a Carolina errou ao se expor assim – pior, que teria vazado as imagens para se promover. Besteira. Ela apenas usou o espelho digital que muitas outras costumam usar hoje em dia e caiu nas mãos de pilantras. Talvez tenha sido descuidada demais com um material tão delicado, mas o debate não pode seguir para este lado agora. Que o caso dela motive uma lei mais rígida para coibir e punir crimes de internet. E suas fotos fiquem no nosso imaginário e não nas nossas HDs.
NOVA COSMOPOLITAN











































